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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Por que os ipês-roxos floresceram menos neste inverno? Entenda como o clima afetou a floração e o que esperar

Especialista explica por que a floração dos ipês-roxos foi mais discreta neste inverno e o que isso revela sobre o clima

9 de julho de 2026
Henrique Moraes
3 min. de leitura
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Foto: Malcoln Oliveira/ Pexels

Quem costuma admirar as ruas cobertas pelo roxo intenso dos ipês pode ter percebido uma diferença neste inverno: em muitas cidades, a floração foi mais tímida do que o esperado. A mudança chamou a atenção de moradores, fotógrafos e apaixonados pela natureza, levantando uma dúvida sobre o que aconteceu com os ipês-roxos.

A resposta está diretamente ligada ao comportamento do clima nos últimos meses. Segundo a bióloga Fernanda Raggi Grossi, mestre em Botânica, Sustentabilidade e doutora em Recursos Hídricos, as condições climáticas registradas neste ano interferiram no ciclo natural da espécie.

O inverno teve influência direta na floração

Embora muita gente associe a chegada do frio ao espetáculo dos ipês, a intensidade da floração depende de uma combinação de fatores ambientais.

De acordo com Fernanda, a principal explicação para a menor quantidade de flores está na ausência de um período de seca mais intenso antes da floração.

Os ipês utilizam justamente esse estresse hídrico como um sinal para direcionar energia à produção das flores. Quando esse processo não acontece da forma esperada, a árvore tende a florescer com menos intensidade.

Além disso, temperaturas mais elevadas durante o outono e o inverno também podem alterar o ritmo natural da planta.

Como funciona o ciclo dos ipês?

Antes de florescer, o ipê passa por uma etapa importante: perde praticamente todas as folhas. Esse processo reduz a perda de água e permite que a árvore concentre seus recursos na produção das flores, criando o visual marcante que colore parques, avenidas e praças.

Entre os fatores que normalmente estimulam esse espetáculo estão:

  • período de estiagem;
  • redução da umidade do solo;
  • dias mais secos;
  • variações naturais de temperatura;
  • equilíbrio entre chuva e frio.

Quando um ou mais desses elementos fogem do padrão, a floração pode acontecer de forma mais discreta.

As mudanças no clima estão afetando as árvores?

Segundo a especialista, eventos climáticos cada vez mais irregulares podem impactar diferentes espécies vegetais, inclusive os ipês.

Chuvas fora de época, ondas de calor prolongadas e invernos menos rigorosos alteram os sinais naturais que orientam o desenvolvimento das plantas.

Isso não significa que os ipês estejam desaparecendo, mas que o comportamento da floração pode variar bastante de um ano para outro.

Nem todos os ipês florescem da mesma forma

Outro detalhe importante é que existem diferentes espécies de ipês, e cada uma possui um calendário próprio de floração.

Enquanto o ipê-roxo costuma florescer entre o fim do outono e o inverno, outras variedades aparecem em épocas diferentes do ano.

Entre as mais conhecidas estão:

  • ipê-amarelo;
  • ipê-branco;
  • ipê-rosa;
  • ipê-verde.

Cada espécie responde de maneira distinta às condições ambientais, o que explica por que algumas árvores apresentaram boa floração enquanto outras ficaram quase sem flores.

A menor floração é motivo de preocupação?

A redução das flores em um determinado inverno não significa, necessariamente, que a árvore esteja doente.

Segundo a bióloga, oscilações na intensidade da floração fazem parte da dinâmica natural das espécies e podem ocorrer conforme as condições climáticas daquele ano.

No entanto, quando eventos extremos se tornam mais frequentes, eles podem alterar de forma mais permanente o comportamento das plantas, exigindo maior atenção de pesquisadores e órgãos ambientais.

O que esperar nos próximos anos?

A expectativa é que a floração continue variando conforme o clima de cada estação.

Se houver um inverno mais seco e com condições ambientais favoráveis, é possível que os ipês-roxos voltem a apresentar florações mais exuberantes.

Especialistas ressaltam que acompanhar esses ciclos também ajuda a compreender como as mudanças climáticas estão influenciando a biodiversidade nas cidades e nos ecossistemas brasileiros.

Fonte: Gazeta de S.Paulo

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